A 25A. HORA – TEMPO PARA ENTENDER

long reading

Uma pequena notícia passou despercebida nos últimos dias. O Facebook colocou em fase de testes uma aplicação que permite que você leia textos mais longos e analíticos num momento de maior calma e concentração.

O recurso não é novo. Afinal, Instapaper e Pocket já fazem isso há um bom tempo. Com apenas um toque, guardam artigos de revistas, textos acadêmicos, ou qualquer coisa que você queira ler para um momento mais tranquilo como, por exemplo, antes de dormir. A novidade é ver que volta a existir um pequeno espaço para o texto de grande fôlego.

Antes de seguir, é bom relembrar que as mensagens curtas ou curtíssimas, como as do SMS ou do Twitter, vieram para ficar. São pequenas doses de 140 caracteres – muitas vezes, nem isso – que suprem fartamente nossa carência de informação. Ao longo dessa última década, fomos adestrados a escrever, e até falar, de modo econômico. Ninguém tem mais tempo pra perder no papo de cafezinho. Todo mundo sofre de FOMO – a síndrome do “estou perdendo algo importante na internet enquanto você me conta essa história longuíssima de três minutos”.

Ficamos tão bons em falar e, principalmente, escrever de forma tão diminuta que estenografia seria uma carreira de sucesso para alguns. É o que os pesquisadores da informação chamam de “Parênteses de Gutemberg”. O patrono da imprensa escrita ficaria assustado ao ver que o produto de sua mais famosa criação foi engolido pela fluidez das redes sociais.

Para Thomas Pettitt, o criador da teoria do parênteses gutemberguianos, a linguagem escrita está adotando a forma da linguagem oral. Ou seja, há de chegar o dia em que seremos capazes de produzir uma mensagem escrita quase tão rapidamente como se estivéssemos conversando. “É como falar pelos dedos”, diz ele.

Mas, então, será que, no meio de toda essa rapidez e pressa, ainda existe espaço para ler um artigo que ocupe mais de três páginas?

– Saiba que, se você chegou até aqui, pode se considerar um vencedor. Muitos já pararam dois ou três parágrafos acima e foram checar as notificações do WhatsApp –

É justamente esse comportamento fragmentado, que nos leva a não ter concentração suficiente, que fez com que a equipe de Zuckerberg reservasse um espaço fora da timeline para suas leituras. Assim, nasce a junção do melhor de dois mundos: posts curtos, compartilhamentos e comentários leves somados aos artigos de revistas e notícias de sites e jornais.

Fato é que, com a implementação dessa nova ferramenta, cada vez menos precisaremos sair do Facebook para consumir informação. Tudo ficará junto, organizado de forma simples e num só lugar. Esta segue sendo a estratégia bem sucedida que faz Zuckerberg aumentar, cada vez mais, a relação de dependência que temos com nossa timeline.

Revistas importantes como Rolling Stone e a The Atlantic já voltaram a nadar contra a corrente do texto telegráfico. Recentemente, no Fórum Anual de Imprensa, o editor-chefe da Rolling Stone fez questão de se posicionar: “estamos decididos a manter a integridade de nosso texto. E, pelo visto, vamos ter que fazer com que nossos repórteres abandonem um pouco seus telefones celulares e redes sociais e voltem, novamente, a escrever reportagens que fizeram da nossa uma das revistas mais lidas das últimas gerações”.

A cada mês, pequenas colunas e reportagens leves perdem espaço para textos com 5 ou, até, 6 mil palavras que, com fotos, ocupam meia dúzia de páginas dessas publicações. O tempo é curto e escasso, mas parece que, pelo menos, para alguns de nós, o dia tem uma hora extra reservada para a leitura como a que fazíamos antigamente.

A.R.

                                                                  MIND MAP LABMÍDIA

LEITURA

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