UMA COLHERADA POR VEZ

Imagem

O conto de fadas moderno é outro. O príncipe foi destronado por má gestão dos impostos do reino. A princesa virou executiva bem sucedida no ramo de palestras sentimentais. E até a rainha má fez uso de seus dotes de vilã pra dar consultoria aos tubarões do mercado financeiro.

Mas a grande mudança ficou por conta do espelho mágico. Ele, agora, cabe na sua mão e virou o assistente pessoal do seu celular.

Espelho, espelho meu…

Hoje, já não perguntamos se somos os mais belos. Estamos interessados em saber as condições do tempo ou se ficaremos engarrafados no caminho para o trabalho. Nosso fiel companheiro de bolso passou a saber mais dos nossos hábitos do que o porteiro do prédio.

Ainda surpreende o potencial do Google Now. Ao contrário de sua concorrente, a capenga Siri, da Apple, ele aprende muito com nossa repetitiva existência.

Outro dia, sem que eu preenchesse nenhum questionário, ele notou que eu passava uma grande parte da minha vida em um determinado lugar. Chamou esse ponto de “A” e assumiu que ali era minha “home”.
E que, em determinada hora do dia, durante toda a semana, eu me deslocava sempre para outra localidade onde passava, pelo menos, umas oito horas. Cravou no ponto “B” a tag de “work”.

Daí pra frente, toda vez que se aproximava meu horário de ida ou volta entre os pontos A e B, ele, sem que eu apertasse nenhum botão, dizia: “tempo de percurso até sua casa é de 22 minutos. Trânsito moderado”.

O curioso é que daí em diante vieram as indicações de filmes perto do trabalho e as dicas de restaurantes que eu nem conhecia. Já fiquei fã de um que faz ótimos bifes de chorizo uruguaio.

“Assistentes pessoais” estarão cada vez mais presentes no futuro. O caminho é irreversível, mesmo quando erram em sua precisão, algumas vezes, ilógica. Em pleno sabadão de folga, ele teima em me indicar uma rota mais eficiente para ir trabalhar.
Sai pra lá, Google. Deixa eu curtir meu verão!

A brincadeira esquentou quando um novo player, muito mais robusto, entrou nessa arena. Logo na primeira semana de 2014, enquanto você curtia a ressaca do réveillon, a IBM trabalhava.

Anunciaram a criação do Watson Group. Um destacamento tecnológico voltado exclusivamente para desenvolvimento cognitivo de máquinas. Investiram 1 bilhão de dólares para acelerar um mercado de softwares e apps que pensarão, aprenderão por conta própria e darão respostas complexas através de uma gigantesca base de dados processada por Big Data.

[Em breve, o LabMidia falará muito de Big Data num especial feito por quem trabalha diretamente com essa nova tendência, aqui no Brasil]

Fato é que o megacomputador Watson, o mesmo que ganhou o mais famoso game show da tv americana em 2011, não está de brincadeira. Seu cérebro de petabytes já está voltado para ajudar médicos na hora de fazer um diagnóstico mais preciso e, também, auxiliar transações financeiras que envolvem bilhões.

Uma parte do vídeo (abaixo) da IBM pede atenção. Ele diz: “Você não programa o Watson. Vocês trabalham juntos. Através de interações, ele aprende. Assim como nós, humanos, fazemos. Cada experiência faz com que ele seja mais inteligente e rápido”.

Watson foi pensado para diminuir a margem de erro em setores vitais da vida humana. Ou, quem sabe, cometer novos erros.

O caminho para fazer uma máquina pensar é longo. Precisamos, primeiramente, aprender a pensar como elas para, então, fazer com que elas pensem como a gente. Cada vez mais, ouviremos falar de web semântica, ensino de linguagem de código nas escolas e transformações que mudarão a maneira como nós relacionamos com o mundo.

Imagine ter um um novo buscador do Google com interface plena de voz. Um que que bata papo mesmo. Se hoje, ele já começa a andar nessa direção e se tornou indispensável na nossa vida, pense no potencial que ele tem para auxiliar na condução do seu carro ou no gerenciamento da sua casa.

Esqueça o futuro distópico dos filmes. Máquinas são a nossa extensão. E, se conseguirmos romper a barreira da linguagem, podemos fazer com que elas aprendam. No fim, vai ser tão estimulante e cansativo como ensinar um bebê.

Que jogue a primeira pedra quem nunca perdeu a paciência ao ensinar uma criança a comer com as próprias mãos. Lembre-se que, no caso das máquinas, vale o esforço.

Já tem gente fazendo isso.

A.R.

Anúncios

2 comentários sobre “UMA COLHERADA POR VEZ

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s