PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

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Vivo com a cabeça no futuro.
Os astrólogos dizem que é coisa de aquariano.
Pode ser. O fato é que a minha imaginação está lá na frente, enquanto o resto do corpo fica preso no presente.
Quando li o clássico “Choque do Futuro”, de Alvin Toffler, ainda moleque, fiquei maluco.
O livro, escrito em 1970, apontava uma direção para a parte da história ainda a ser construída.
E fazia um alerta sobre as consequências da sobrecarga de informações e de uma vida em ritmo acelerado.

Nos últimos 500 anos, principalmente, nossas vidas foram guiadas por esse norte mágico.
Enquanto o futuro não chegava tínhamos a chance de avaliar o curso humanidade, corrigir os erros, até chegarmos ao ponto final da melhor maneira possível.
Era uma visão romântica, cheia de esperança, e parecia bem longe do presente.
Só que, de repente, o futuro chegou.
Ele está aqui, agora, e é bem diferente do que imaginávamos.
Se você não consegue enxergá-lo mantenha a calma: você não está sozinho.
Simplesmente não tem tempo para pensar sobre isso.
Vivemos o “Choque do Presente”.
Esse é o título de um ótimo livro lançado no ano passado por Douglas Rushkoff.
O subtítulo é “quando tudo acontece agora”.

O livro faz uma análise de tirar o fôlego sobre o momento atual.
É denso.
Como sei que ninguém aqui tem muito tempo vou destacar apenas algumas reflexões que me chamaram a atenção.

Perdemos a capacidade de planejar o futuro.
O ritmo atual é tão rápido que ficamos paralisados, tentando capturar o presente.
A única coisa importante é o que fazemos agora.

Deixamos de lado os períodos de adaptação.
Não há tempo para absorver nada.
É preciso dar sempre o próximo passo para não ficar para trás.

Nosso corpo analógico só pode estar num único lugar.
Nossa identidade digital pode ser distribuída por inúmeros lugares e ser acessada a qualquer momento.
A questão é que assumimos cada vez mais a pressão do mundo digital como se fosse real.

A humanidade já viveu muitos anos sem o conceito de tempo.
Antigamente só existia um eterno presente.
Não havia a ideia de progresso.

O tempo digital não flui, ele “pisca”.
O tempo não é mais linear, o passado não fica atrás, está disperso em todos os cantos, num mar de informações.

O ritmo digital é diferente do nosso ritmo biológico, e isso provoca efeitos negativos sobre o nosso corpo.

Em vez da tecnologia facilitar nosso trabalho – e termos mais tempo livre – agora trabalhamos mais, pois estamos o tempo inteiro conectados em múltiplos aparelhos. Isso gera ansiedade.

Os telefones são esperto (smartphones); nós somos burros.

O problema não é o excesso de informações e sim a nossa falta de filtros.

O mundo digital é infinito. A atenção humana é finita.

O retorno (feedback) de alguém é importante para que a gente faça ajustes e siga em frente.
Agora não há mais tempo para isso.
Seguimos sem refletir.

Chegou a hora da prova dos nove.
Cronometre quantos segundos você vai refletir sobre tudo isso… antes de clicar no próximo link.

(Rafael Coimbra)

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