UMA CÂMERA NA MÃO, UMA REPORTAGEM NA CABEÇA

Nokia Lumia 1020, Stephen Elop, Andy Inahtko

Nunca gostei da palavra jornalismo.
Pra quem “nasceu” dentro da TV, uma profissão carregando “jornal” na definição me parecia algo incorreto ou, no mínimo, ultrapassado.
Anos depois, quando a internet se popularizou, foi a vez do termo “repórter de TV” me incomodar.
TV, pra mim, sempre foi aquele projetor de tubo, com antena ou cabo.
Mas… e quando uma reportagem roda no player de um celular, isso é TV?
Pra mim não.
Mas o que é então?
Pode parecer preciosismo, mas por trás dessa reflexão etimológica está uma revolução em curso.
Recentemente dois dos maiores jornais do país fizeram investimentos pesados em conteúdo audiovisual.
TV Folha ficou dois anos no ar, em TV aberta (Cultura).
Foram 700 horas de conteúdo em 110 programas.
De acordo com a Folha, a audiência (somando o programa original e a reprise) teve um aumento de 65% entre o início e o fim do projeto na TV.
Agora, o formato passou a ser exibido exclusivamente pela internet (é TV, feita por jornal, exibida na web???).
Outro grande investimento em reportagens audiovisuais está sendo feito pelo O Globo.
No mês passado o jornal anunciou a implantação de uma estrutura de vídeo, com a criação de 10 novas vagas.
Lá fora, grandes revistas e jornais (ou sites?) também incrementaram a produção de vídeo nos últimos anos.
Os formatos variam: de reportagens exclusivas a complementos de matérias impressas.
Veja essa reportagem feita pelo New York Times sobre o Brasil (no fim do texto tem um vídeo).
Outra investida interessante foi feita pela revista Vice.
Criada em 1994, a publicação se transformou num conglomerado de mídias ao longo dos últimos anos.
As reportagens e documentários feitos por eles são muito bons.
Tão bons que parte do conteúdo da Vice é exibido pela HBO.

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E por que todos apostam no vídeo?

Vejo pelo menos dois motivos.
O primeiro está na tendência de consumo de vídeo.
Diversas pesquisas mostram que esse é o formato de conteúdo com maior crescimento no mundo da comunicação.
A nova geração é audiovisual.
O segundo ponto está nos custos.
Nunca foi tão barato produzir, transmitir e armazenar vídeo digital.
Antigamente um rolo de filme (e todo o processo de edição) custava absurdamente mais que tinta e papel.
Hoje qualquer um com smartphone na mão é capaz de colocar uma reportagem “no ar” em questão de minutos, a um custo irrisório.
Essas mudanças estruturais estão implicando também na transformação dos jornalistas.
Muitos repórteres e editores de jornal estão gravando vídeos, como cinegrafistas, ou aparecendo diante das câmeras.
Aqui no Brasil, tenho gostado muito do resultado, principalmente quando narram a história no local dos fatos ou fazem comentários analíticos, dando contexto à reportagem.
Há quem torça o nariz pra tudo isso.
Muitos jornalistas acham que é acumulo de função trabalhar como “repórter de TV” sendo “repórter de jornal” e vice-versa.
Pra mim, repórter é repórter, seja lá qual for o formato e as ferramentas que usamos narrar a notícia.
O fato é que o vídeo vai ter cada vez mais espaço nos meios de comunicação.
E a tendência é que os “profissionais multimídia” virem padrão.
Em breve, imagino todos os repórteres (de todas as plataformas) usando Google Glass.
Áudio e vídeo vão se tornar banais.
A convergência é inevitável.
E o debate sobre ser um jornalista de TV,  jornal, rádio ou internet deve acabar.
Seremos todos apenas repórteres.
Ou seja lá o nome que vamos inventar pra isso.

R.C.

 

 

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