NEW YORK… DIGITAL TIMES

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O vazamento do relatório do New York Times caiu como uma bomba nos meios de comunicação.
Pra quem não leu, aqui está o link.
Vale a pena prestar atenção em cada uma das 96 páginas.
O documento é o retrato do esforço de uma das publicações mais tradicionais e respeitadas do mundo diante do furacão digital que sacode a imprensa há alguns anos.
O título é simples e forte: inovação.
Pra mim, o que mais impressiona é a franqueza com que as coisas são ditas, e  praticidade, típica dos norte-americanos.
Mas, em relação a ideias disruptivas, elas não apareceram no relatório.
É simplesmente uma constatação das transformações recentes.
Todas elas foram abordadas aqui no Labmídia (e permanecem no nosso radar).
Vou destacar algumas.

A força do digital

O conceito do digital permeia todo o relatório. O NYTimes reconhece novos players e admite que a estratégia deles tem se saído melhor.
Principalmente nos quesitos “promoção” e “conectividade”.
A dinâmica de usar as redes sociais pra conquistar novos leitores e fidelizar os antigos é dada como fundamental por eles.
Isso passa pela ação dos próprios repórteres e editores.
Há um sentimento claro de choque de gerações, de quem opera na vibração digital e os que ficaram presos na era analógica.
A versão impressa ainda é importante para o jornal.
Mas, agora, o conteúdo digital passa a ser o foco.
Esse é um caminho sem volta.

Jornalistas multimídias

O relatório diz que boa parte do engajamento da rede, e da promoção das reportagens, deve ser feita pelos próprios jornalistas.
Para isso, é claro, precisam saber usar ferramentas como Twitter e Facebook (para mim, hoje tão básicas como um dia já foi o “ambiente windows”: word, excel e power point).
A convergência é estimulada também entre equipes do jornal, hoje separadas: tecnologia, design, negócios.

Big Data

Outro desdobramento do ambiente digital é trabalhar melhor os dados dos leitores.
A partir do comportamento de cada um na internet, é possível melhorar a experiência dos assinantes, dando a eles exatamente o que querem.
Além dos metadados atuais, o NYTimes sente falta de um bom acervo.
Muita gente procura uma fonte confiável para pesquisas.
O NYTimes poderia ser ela (em vez da Wikipedia) mas, sem uma boa catalogação de tags e um bom mecanismo de busca interna, a oportunidade é perdida.

Homepage

Esse é um dos maiores pilares digitais, destruído pelo próprio ambiente digital.
A homepage foi, durante muitos anos, a página mais importante de um site.
Era por ali que as pessoas começavam a navegação (mesmo depois de passar por um mecanismo de busca).
A homepage simplesmente ficou para trás.
Ela foi substituída em muitos casos por uma página no Facebook.
E, especificamente nos sites de jornalismo, a maior parte do acesso hoje vem pelas redes sociais.
Alguém compartilha um link e de uma reportagem e você é levado direto a ela, sem passar pela homepage.

Visão Geral

O ritmo do mundo é cada vez mais acelerado.
No jornalismo em tempo real a velocidade é multiplicada ainda mais.
O pessoal do “chão da fábrica”, que constrói as reportagens, muitas vezes não tem tempo de olhar para o todo.
Por isso, o NYTimes sugere a criação de um time extra, que consiga ter uma visão geral e trabalhar uma estratégia que ligue adequadamente todas as partes da redação.

Mais difícil que reconhecer os desafios é mover, a tempo, a máquina na direção certa.
O NYTimes é um Titanic do jornalismo.
Gigante, imponente, aparentemente indestrutível.
Mas bastam alguns icebergs digitais para ir tudo por água abaixo.

R.C.

 

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