PÁGINA UM – A CARA DE UM JORNAL

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Teste suas habilidades visuais e tente achar o elemento fora de lugar nesta foto.
Algumas dicas podem ser úteis na sua procura: ele está aí no meio dos chicletes, biscoitos, pilhas e camisinhas.
Mesmo entre todos esses perecíveis vendidos na banca, ele é o que perde a validade mais rápido.

Jornaleiro vende tudo hoje em dia – menos jornal. E aqui não me refiro aos pequenos jornais de nicho como os de concursos ou de esportes. Falo dos grandes que servem de referência nacional.
São aqueles que você pega no tapete pela manhã ou lê no iPad em versão digital.

Os de banca já não atraem leitores que liam as manchetes penduradas com pregador de roupa. Esse tempo está indo. Ninguém mais se informa pelas capa de um jornal.

A famosa página 1 – que, curiosamente, nunca foi numerada – foi pro brejo.

O problema é que essa fronteira está avançando pelo mundo digital.
Assim como no papel, a home dos grandes sites está desaparecendo.

O relatório vazado do New York Times mostra claramente essa preocupação.
O texto é conciso, às vezes duro, mas com a motivação necessária para tentar resolver problemas.
Problemas que estão esfarelando as instituições mais sólidas e confiáveis do nosso tempo.

Nós, aqui no LabMidia, lemos as quase cem páginas do documento.
Nossas conclusões foram parecidas com as que fecham o relatório: ainda não existem respostas para estas perguntas.
E, talvez, não existam porque estão mudando a cada minuto. É como dar um passo no vão antes de construir a ponte por onde se vai passar.

A homepage, da maneira como é feita hoje, é dispendiosa demais para o NYT: “Nossa redação é unânime – estamos perdendo muito tempo e energia com a primeira página”

O que antes era considerado um dos maiores ativos do site, já não passa de uma colagem de manchetes.
O leitor não se guia mais pela capa. Nós não entramos mais pela porta da frente. Preferimos a porta dos fundos ou a janela do banheiro.

Lemos tudo via links encurtados do Twitter, nas recomendações dos amigos do Facebook ou pelas url´s coladas na telinha do Whatsapp.

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“O valor das homepages está diminuindo. Somente um terço dos nossos leitores a visita. E os que chegam através dela, gastam cada vez menos tempo em sua leitura. Os pageviews e minutos gastos caem vertiginosamente. O Times precisa fazer um trabalho melhor no compartilhamento de conteúdo.”

E, ao estimular o sharing entre os leitores, cria-se um modelo que pode não só viver do factual, mas do que já foi produzido ao longo de décadas.

“Existem 14.7 milhões de artigos nos arquivos do Times desde 1851. Precisamos achar um meio de torná-los importantes. Podemos fazer, todo dia, um jornal que ofereça notícias, contexto e relevância. Esse é um jornalismo que nunca perde seu valor”.

Doze modelos a serem seguidos são listados na “Planilha de Competidores”. Entre os principais nomes estão o Buzzfeed (os que primeiro publicaram o relatório vazado), o Huffington Post e o inglês The Guardian. Este último avança ferozmente sobre o New York Times e o Washington Post. Tem 27 milhões de views contra 13 milhões do NYT.

Foi citado como agressivo ao contratar 60 profissionais para o escritório americano. Com a cobertura exclusiva do Caso Snowden, pelo jornalista Glen Greenwald, ganhou credibilidade nos Estados Unidos. Conquistou o respeito com uma notícia que os americanos gostariam de ter lido em seus próprios jornais.
Não leram.

(Alexandre Roldão)

 

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