Vai ter Copa. E protesto

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Faz um ano que os protestos tomaram conta das ruas do Brasil.
Das ruas e, claro, das redes sociais.
Foi graças à comunicação digital que pessoas com os mesmos ideais (ou até bem diferentes) encontraram forças para se manifestar.
Uma das análises mais completas sobre o papel da internet nos protestos é a do sociólogo espanhol Manuel Castells.
No livro “Redes de indignação e esperança – Movimentos sociais na era da internet” ele faz um relato do que aconteceu na história recente das manifestações mundiais.
Fala da revolução egípcia, dos indignados da Espanha, do Occupy Wall Street e, num pósfácio, do Brasil.
Reúno abaixo alguns pontos que me chamaram atenção, do ponto de vista da comunicação digital.

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Confiança
A confiança é o que aglutina a sociedade.
Sem ela os indivíduos se sentem fracos. E o medo impede a ação.
Em rede as pessoas unem forças e ganham coragem para protestar.
A internet catalisou esse encontro de ideias.
O primeiro passo foi a troca de ideias no ambiente virtual.
Ao se sentirem fortes, as pessoas foram às ruas.

Sem Liderança
O ambiente digital é horizontal.
Nele, todos tem os mesmos direitos.
E a tomada de decisões se faz a partir de uma democracia direta.
Essa característica se mostrou nos protestos.
O que se viu nas ruas foi a rejeição a qualquer organização formal, principalmente aos partidos.
Esse fato deixou os próprios políticos confusos.
Sem lideranças, eles não sabiam com quem dialogar.
O mesmo se deu com a imprensa.
Os jornalistas tentaram identificar porta-vozes, mas não havia alguém que representasse a todos.
Um outro aspecto da descentralização foi que ela protegeu o próprio movimento da burocracia e da manipulação.

Construção de significados
Antes, o poder de construir mensagens era apenas da imprensa e das instituições que estavam no poder.
Com a internet, qualquer um passou a poder expor se ponto de vista.
E novos símbolos surgiram a partir da troca e da soma de ideias e conteúdos digitais.

Tempo real
A transmissão ao vivo foi fundamental para evitar uma repressão mais violenta contra os manifestantes.
Segundo Castells, no caso da revolução egípcia, a cobertura ao vivo, da imprensa tradicional, funcionou como um “manto de proteção”.
Da mesma forma, os vídeos produzidos pelos manifestantes trouxeram novos olhares, mostraram fatos não expostos pela imprensa tradicional.
Isso também contribuiu para proteger os movimentos sociais.

Mobilidade
Os protestos talvez não saíssem do ambiente virtual se não fosse a mobilidade.
Foi a conexão por meio dos smartphones que permitiu a articulação do mundo real com as pessoas em rede.
E também entre elas, no espaço físico das ruas.
A mobilidade potencializou ainda o alcance dos protestos.
Os movimentos foram locais e, ao mesmo tempo, globais.
Com o acesso a internet, pessoas do mundo inteiro puderam se identificar com os anseios dos manifestantes de qualquer lugar.

Resultado concreto
Houve uma cobrança, por parte de muitos, de resultados concretos.
Se os manifestantes não conseguiam nada na prática, o movimento era considerado um fracasso.
Castells chama isso de “visão produtivista da ação social”.
Segundo ele, os efeito concretos não precisam aparecer imediatamente.
Querer transformar o Estado não significa, necessariamente, se apoderar dele.
O simples fato de participar de uma experiência coletiva provoca mudanças profundas individuais e na sociedade.
As instituições passam a ter que trabalhar com novos ideais e, em algum momento, precisam ceder.
A partir daí os efeitos práticos podem aparecer em diversas esferas.

Legado
Castells acha que os movimentos sociais em rede ainda estão em processo.
E qual seria o possível legado deles?
“A democracia. Uma nova forma de democracia. Uma antiga aspiração da sociedade, jamais concretizada”.

Há quem torça o nariz para essa visão.
No livro “The Net Delusion – the dark side of internet freedom”, o pesquisador Evygeny Morozov afirma que o conceito 100% democrático da internet é falso.
Segundo ele existem riscos.
Muitas vezes são os governantes e as grandes instituições os maiores beneficiados pela grande rede mundial.

Mas isso é papo para um outro artigo.
Faltando apenas 10 dias para a Copa do Mundo, o momento é de esperança.
Que o Brasil seja campeão.
E que os protestos rendam frutos, sem violência.

R.C.

 

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