TÃO BOM QUE ESTRAGOU

Kodomoroid: mais real do que a gente, realmente, gostaria que ela fosse

No futuro, Hiroshi Ishiguro entrará para a História por ter feito a máquina mais parecida com um humano. A obsessão por robôs com aparência de gente já virou motivo de piada entre os que acompanham seus feitos.

Mas Ishiguro tem um mérito. A cada invenção, a coisa vem ficando cada vez mais realista. Recentemente, ele apresentou duas novas criações. São duas robôs que desempenharão a função de guias no Museu de Inovação e Ciência, do Japão.

Kodomoroid (gif animado acima) fica recitando, ininterruptamente, as notícias do dia. Tem várias vozes, sotaques e idiomas. É um papagaio em forma de menina – “kodomo”, em japonês, significa criança.

Ontonaroid (que quer dizer “adulta”) servirá de relações públicas da instituição. Dará as boas vindas aos visitantes e dirá quais as atrações do dia. Durante a apresentação, as duas se comportaram perfeitamente.

Apesar das limitações, dizem que chegaram a enganar alguns desavisados na plateia. E esse parece ter sido o maior receio do dr.Ishiguro: a quase perfeição de suas criações.

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Nas áreas de extrema especialização, fazer algo que se aproxime do ideal é o desejado. Em robótica, a coisa funciona um pouco diferente. O “Vale do Desconforto” diz que quanto mais uma máquina se parece com um ser humano, maior repulsa ela causa.

O estranhamento deve ser por conta do medo íntimo que todos tempos da substituição. Imagine não saber se aquele amigo de trabalho, na verdade, vai recarregar as baterias quando diz que vai ao banheiro. Isso, sem falar na paranóia de colocar em dúvida a sua própria existência.

Em um dos melhores episódios de The Big Bang Theory, Howard pergunta para Sheldon: “- Se você fosse um robô e eu soubesse disso, você gostaria de saber?

Agora, imagine isso daqui a alguns anos. Vai chegar o momento em que vamos acertar. O “robota” não será um mero escravo. As Rosies, dos Jetsons, serão muito mais agradáveis que, talvez, alguém da sua própria família.

A dificuldade que temos é com nós mesmos. Depois que resolvermos a questão do hardware, precisaremos pensar a fundo o software. Inteligência artificial suficiente pra passar com louvor no Teste de Turing.

Na contramão dos robôs superhumanos, Ishiguro criou algo que vem fazendo sucesso entre crianças e velhinhos. O Telenoid tem uma aparência inacabada. Com cotocos no lugar das pernas e braços, também não possui orelhas, pálpebras ou dentes.

Foi projetado para ser um robô de companhia para idosos em casas de repouso e hospitais. Através dele, parentes usam a internet para transmitir voz e expressões para seus familiares.

No vídeo, uma mulher pergunta se ele pode sorrir. Diante de uma plateia tensa, uma voz de adulto imitando criança diz: “-Não”.  Mais adiante um homem arrisca uma conversa em alemão. Pergunta qual a resposta para a vida, o universo e tudo o que existe. Telenoid pensa, balança a cabeça e, calmamente, responde: “- Telenoid”.

No fim, arremata ao papo dizendo: “- Serei seu amigo, ainda que você seja um humano”.

(A.R.)

 

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