PRIVADO PÚBLICO

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Se você é um funcionário, seja qual for a sua profissão, imagine um motivo pelo qual poderia ser demitido.
Um erro, uma briga, falta de produtividade, corte de custos.
Existem várias formas, por justa ou injusta causa.
Mas…. e uma curtida no Facebook?
E um vídeo no WhatsApp, só para amigos?
Pois é.

Essa semana, uma enfermeira foi demitida após gravar e postar um vídeo do jogador Neymar dentro do hospital.
A sequência, com final estilo selfie,  deveria ficar restrita a um grupo fechado do WhatsApp, mas alguém acabou vazando o conteúdo.
As imagens correram o mundo e moça perdeu o emprego.
Em outro caso, um funcionário também foi pra rua depois de ter curtido um comentário ofensivo à empresa em que trabalhava.
Esses dois exemplos mostram que a fronteira entre o real e o virtual estão desaparecendo.
Em algumas situações, como nas acima, as atitudes digitais foram consideradas analógicas.
Muitos serviços hoje aceitam até os logins do Twitter e do Facebook, como se fossem assinaturas, ou carteiras de identidade verdadeiras.
A tendência é essa, não tem volta.

Apesar dessa força, a maioria das pessoas ainda considera as redes sociais algo menor.
Como se as ações registradas ali não tivessem as mesmas consequências que no mundo real.
Em algum momento, por bem ou por mal, a ficha vai cair.
E aí fica uma outra reflexão.
Será que, no futuro, vamos perder a confiança e a espontaneidade das relações em grupo?
Vamos ficar “travados” na hora de tentar ser quem realmente nós queremos, porque tudo o que escrevermos ou filmarmos poderá ser usado contra nós?
Nesse momento seremos obrigados a usar o tempo todo filtros sociais.
Já usamos ao longo do dia, principalmente no campo profissional.
Mas, em casa, ou numa roda de amigos, geralmente agimos de uma forma diferente, bem mais natural.
Com a invasão tecnológica, imagino que muitos dos nossos papéis, de “atores sociais” (usando um conceito do antropólogo Cliford Geertz) vão desaparecer, pelo menos nas redes sociais.
Talvez nossas inconfidências voltem a ficar restritas apenas ao mundo real, a pessoas que confiamos.
Desde que, é claro, ninguém esteja com uma câmera na mão.

R. C.

 

 

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