NÃO ME DEIXE SÓ

DRUMMOND

O desafio parece idiota.
Você prefere ficar sozinho, durante 15 minutos, ou levar um choque?
Provavelmente você escolheu a primeira opção.
Mas calma, tem uma pegadinha aí.
Quando eu digo sozinho, não é ficar isolado num canto, cheio de parafernalhas, como acontece atualmente.
É sozinho mesmo: sem celular, livro, TV… absolutamente nada… apenas com os seus pensamentos!
Mudou alguma coisa na resposta ao desafio?
Pois bem, um estudo coordenado psicólogo americano Timothy Wilson, publicado na revista Science, mostra que encarar a si mesmo não é tão simples assim.
220 voluntários passaram por uma bateria de 11 testes.
O objetivo era ficar apenas 15 minutos sozinho, desconectado de tudo.
49% das pessoas não gostaram da experiência.
Perguntados se preferiam levar um choque, em vez de ficarem sós, 67% dos homens e 25% das mulheres escolheram a segunda opção.

The-Thinker-Wikipedia

Existem várias questões importantes a partir do estudo.
Apesar de não haver base de comparação com testes anteriores, é possível imaginar que o impacto dos meios de comunicação digitais contribui para o aumento da angústia de ficar só.
A pesquisadora Sherry Turkle tem um ótimo livro sobre o assunto: “Alone Together” (ainda sem versão em português).
Se você acha que o incômodo de ficar só é algo exclusivo dos outros, pare e pense.
Quando chega em casa, você fica em silêncio?
E nas férias? Viaja sem laptop, tablet e celular?
Pra muita gente, estar desconectado, hoje em dia, é uma tortura maior do que um choque.
E a tendência é que a nossa dependência tecnológica aumente.
Não só de maneira ativa, procurando algo para preencher o tempo, mas também de forma passiva, com a chegada dos assistentes pessoais robóticos.
Vejam o caso do Jibo, que já está à venda e deve ser lançado no ano que vem.

O Jibo está perto da realidade.
E levanta uma outra questão: será que, na busca por companhia, vamos preferir máquinas em vez de humanos?
Não apenas como forma de entretenimento, a exemplo do que acontece hoje, mas de “amigos virtuais”?
Quem quiser refletir sobre o assunto não deixe de ver o filme Her, vencedor do Oscar de melhor roteiro original.
Ainda estamos longe de uma Inteligência Artificial no nível apresentado no filme.
Mas é questão de tempo.
E talvez não sejamos tão exigentes com nossas companhias virtuais.
A simples sensação de ter “alguém por perto” deve compensar as possíveis falhas do sistema.

É importante lembrar que a solidão tem um papel fundamental na formação das ideias, na criatividade.
E também no desenvolvimento da personalidade.
O fato é que, em breve, será extremamente difícil encontrar alguém 100% desconectado.
E, mesmo quem quiser ficar só, vai ter que se esforçar pra isso.

Rafael Coimbra

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