GUERRA AO TERROR

CSNEW2

A notícia foi aterrorizante. As imagens, mais ainda.
Essa semana, o grupo jihadista ISIS divulgou um vídeo em que mostrava a execução, por degola, do jornalista norte-americano James Foley.
Em termos técnicos, o material foi cuidadosamente trabalhado pelos terroristas.
Luz, áudio, enquadramento, texto.
Prova de que eles sabem exatamente como espalhar o terror na era digital.
Em poucos minutos o vídeo rodou o mundo.
No debate ético sobre divulgar ou não o vídeo terrorista, ainda que parcialmente, dois argumentos válidos se destacam.
De um lado, estão os que defendem a exibição, como forma de mostrar a crueldade dos assassinos e, assim, mobilizar a população e os governantes para impedir o avanço do terror.
Na outra ponta estão os que alegam que divulgar as imagens é ser conivente com os terroristas. Afinal de contas, o que eles buscam com o vídeo, é a propaganda do terror.
Nos grandes veículos de comunicação esse debate é comum sempre que casos assim aparecem.
Algumas emissoras fazem até questão de defender o seu ponto de vista.
É o caso da CNN, no vídeo abaixo.

James Foley
A diferença é que, até pouco tempo, o controle desse tipo de informação ficava restrito aos grandes veículos de comunicação.
Hoje em dia, somos todos responsáveis pelo tráfego do conteúdo.
Grandes plataformas, como o Youtube e o Twitter, muitas vezes conseguem propagar conteúdo com amplitude e velocidade maiores que os grandes canais de TV.
No Youtube existem políticas de controle de publicação dos vídeos.
Entre outras coisas, é proibido promover incitação ao ódio ou postar conteúdo explícito ou violento.
Qualquer um pode denunciar o conteúdo impróprio.
Mas é comum, antes de ser apagado, que o material circule livremente e seja copiado por várias pessoas.
E a gente sabe que, uma vez na rede, em formato digital, sempre será possível conseguir uma cópia.
A reflexão é: quando você vê, comenta ou replica um vídeo terrorista, de que lado você está?
Não estou entrando o quesito “curiosidade mórbida”.
Será que, ao compartilharmos o vídeo de um assassinato terrorista, estamos sendo usados para propagar o ódio, ainda que inconscientemente?
Ou será que exposição das imagens chocantes nos leva a conhecer melhor até que ponto uma pessoa movida pelo ódio pode chegar?
A internet deu um grande poder de fogo para os terroristas.
E também para quem defende a paz.
Às vezes, a tecnologia do bem cai em mão erradas, sem querer.
Veja o caso do polonês que criou o JustPaste.it com o objetivo de facilitar a publicação de conteúdo.
O site passou a ser usado amplamente por terroristas.
Os detalhes da história estão numa super reportagem da Renata Malkes, que você confere aqui.
Querendo ou não, agora todos fazemos parte da guerra midiática.
É bom conhecer as armas digitais, e usá-las da melhor maneira possível.

Rafael Coimbra

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