ARENA DIGITAL

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“O que fazemos em vida ecoa na eternidade”.
A frase acima é dita por Russell Crowe no filme Gladiador.
A lição de moral, que valia na Roma antiga, pode ser usada hoje perfeitamente.
Essa não é a única semelhança com aquela época.
A imagem do Coliseu, lutas violentas e uma platéia querendo sangue, de certa forma ainda existe.
Só que a arena agora é digital.

O grande assunto da semana foi o caso da torcedora flagrada chamando o goleiro Aranha de “macaco” durante a partida entre Grêmio e Santos.
As imagens da atitude racista se espalharam rapidamente pelas redes sociais, e a grande arena se formou.
A torcedora foi xingada e recebeu ameaça de estupro.
Teve que apagar as contas do Facebook e do Twitter.
As consequências não foram apenas virtuais.
Ela teve a casa apedrejada e foi afastada do emprego.
Tudo isso aconteceu antes da Justiça entrar no caso.
A ideia aqui não é defender a torcedora.
Ela cometeu um erro e deve responder por ele.

O que chama atenção é o comportamento individual na era da comunicação coletiva.
Pode ser que eu esteja enganado, mas acho que, dificilmente, a torcedora teria coragem de fazer o que fez se estivesse sozinha e, sobretudo, se soubesse que estava sendo filmada.
Provavelmente ela se sentiu à vontade para ofender o goleiro porque estava cercada de outros torcedores que pensavam como ela.
No meio da multidão viramos anônimos.
A mesma reação pode ser vista do outro lado.
Na grande arena digital, as pessoas ganham uma coragem impressionante.
Quantos tem coragem de dizer o que pensam, cara a cara?
Agir em grupo é um fenômeno social humano antigo.
Já o comportamento coletivo digital é algo novo.
Lembre-se que a Web tem apenas 25 anos e, as redes sociais, 10 anos ou menos.
Há bons livros sobre o tema. Pra quem se interessar, aqui vão dois.

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Mas, geralmente, apenas o lado “bom” das redes digitais é analisado.
O fato é que, como em tudo na tecnologia, qualquer característica humana ganha evidência.
Racismo, raiva e vingança são apenas algumas delas.
Só não gostamos muito de falar sobre isso.

gladiador-joinha
No próprio Facebook existe apenas o “joinha”pra cima.
Se tivesse pra baixo, a arena digital iria condenar impiedosamente.
Gladiadores e tigres são cruéis.
Mas a justiça digital não fica muito atrás.

Rafael Coimbra

 

 

 

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