QUEM MEXEU NO MEU ORKUT

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Foi bom enquanto durou.
Depois de 10 anos no ar, o Orkut fechou as portas hoje.
Foi a primeira grande rede social a fazer sucesso no Brasil, e a mais acessada até 2011.
Mas é aquilo: no darwinismo digital, também sobrevive o mais adaptado.

Rede Social 1.0

Quem matou o Orkut, na prática, foi o Facebook.
Vários fatores contribuíram pra isso.
Talvez o principal tenha sido a falta de percepção da dinâmica das ferramentas de comunicação.
Tudo bem, o Orkut era engraçado, tinha as comunidades, mas exigia esforço por parte de quem o usava.
As páginas pessoais eram estáticas. A maior parte das interações exigia a visita, uma a uma, no perfil de cada um.
Foi uma fase de rede social 1.0.
Aí veio o Facebook, aberto ao público apenas dois anos depois do Orkut.
A grande sacada do FB foi levar as “notícias pessoais” até os amigos.
O feed de notícias, além de frenético, estimula a comunicação pelas curtidas, compartilhamentos ou comentários.
Fora as notificações, que piscam sempre que alguém interage com a gente.
O Orkut, por sua vez, parou no tempo.
O Google, dono da rede, tentou dar a volta por cima com o Google+.
Até hoje não conseguiu chegar nem perto do Facebook.

Novos Players

Bom, se o Orkut fechou, nada impede que alguma outra rede social roube o trono do Facebook.
É verdade, já discutimos isso aqui no Labmidia.
A mais nova pretendente ao posto é a rede Ello.
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A proposta da novata é criar um tipo de Facebook sem anúncios.
Por enquanto, é preciso um convite para fazer parte.
Já vimos esse filme antes.
Não é tão simples criar uma rede global.
O sucesso depende de dois fatores principais:
Primeiro, redes sociais são feitas de pessoas e computadores.
Pessoas são conquistadas. Computadores não.
Uma rede com milhões de pessoas exige uma infraestrutura física enorme para suportar o fluxo de dados.
Pergunta: quem vai pagar a conta?
Segundo, um grupo grande de pessoas é um mercado consumidor em potencial.
E, onde existe mercado, tem sempre alguém querendo vender.
Pergunta: como fazer para impedir a propaganda ostensiva feita pelos próprios participantes da rede?

.A sacada do Whats App

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Quando surgiu, o WhatsApp era sinônimo de mensagem de texto de celular de graça.
Aos poucos, a plataforma foi incorporando novas funcionalidades, e as pessoas passaram a usá-la como uma micro rede social.
É possível conversar, postar fotos, áudio e vídeo.
E o melhor: não tem propaganda!
Só pra lembrar, o WhatsApp foi comprado, no início do ano, pelo Facebook, por quase US$ 20 bilhões.
Com isso, o FB criou uma super blindagem.
Tem a maior rede social do mundo e a maior quantidade de micro redes, se colocarmos os grupos do WhatsApp nessa categoria.
De novo: pode ser que alguém bata o Facebook.
Mas, no curto prazo, parece improvável.

Memória digital

Se você entrar no Orkut agora vai ver que ele se transformou num museu de comunidades.
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Preservar o passado virtual é extremamente importante.
No futuro, arqueólogos digitais vão pesquisar nossos comportamentos por meio dos arquivos mantidos na rede.
Mas a responsabilidade sobre a nossa memória não pode ficar apenas nas mãos das empresas.
Quando concordamos com os termos do contrato, no momento da inscrição de uma rede social, transferimos o domínio de todo nosso conteúdo pessoal para empresa.
Isso significa que, em caso de fechamento, nossas fotos, vídeos e textos podem ser apagados de uma hora para outra.
Hoje, muitas das nossas fotos estão apenas nos servidores das redes.
A preocupação com as cópias de segurança diminuiu porque a percepção é de que as redes são eternas.
O mesmo alerta vale para o conteúdo que não queremos mais.
Quando uma rede é desativada, o que está lá pode ser congelado, por decisão da empresa.
Imagine que você tenha feito um comentário constrangedor, quando era mais novo e queira apagar esse rastro digital.
Se a rede fechar, o material pode ficar lá para sempre.

Bem na foto

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Outra análise interessante, a partir do fechamento do Orkut, é o uso das fotos.
Talvez tenha sido a última rede social em que publicamos fotos prioritariamente com o sentido de “recordação” dos momentos. Algo parecido com os álbuns de fotos de papel.
Com a chegada do Facebook e, mais recentemente, a onda do selfie, a fotografia passou a ter uma função de linguagem.
Muitas vezes, ela só está ali como forma de recado, para pontuar um post, ou para geolocalizar alguém.
Pare e pense: quantas fotos do Facebook você realmente salvaria?
Provavelmente muitas imagens “bobas” seriam deixadas pra trás.
Ou: quantas fotos você fez questão de ver novamente nos últimos anos?
Há ainda o fato de tirarmos hoje muito mais fotos do que antigamente (preço e facilidade).
É cada vez mais difícil gerenciar nossas imagens pessoais, decidir o que é realmente simbólico e importante a ponto de ser arquivado.
Uma memória cada vez mais construída, editada, preservada ou apagada por nós.
E pelas redes sociais.

(Rafael Coimbra)

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