A CARA DA INTERNET

Se você tivesse que fazer um retrato falado da internet, como ele seria?
Provavelmente teria a forma de um browser: uma janela retangular, com uma barra de endereço no topo, texto, imagens e vídeos e, é claro, links.
Não importa qual o browser você usa.
Internet Explorer, Chrome, Firefox, Opera ou Safari.
Todos eles tem a “mesma cara”.
Esse modelo visual ganhou popularidade há exatos 20 anos, como lançamento do Netscape.
Foi a primeira vez que pessoas “comuns” puderam interagir de verdade com a internet.
Antes, isso só era viável a programadores, já que tudo era baseado em código e listas de textos.
A Web tinha corpo, cérebro, mas não tinha cara.

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A face amigável da Web surgiu com o Netscape.
E, por incrível que pareça, apesar da evolução, até hoje todos os browsers seguem a mesma estética e funcionalidade básicas dele.
Pensar nisso não é apenas um saudosismo.
É importante para compreendermos a comunicação e a nossa relação social, uma vez que praticamente toda a nossa vida digital só é possível por causa das Interfaces.
Umas das melhores análises sobre Interfaces é a do escritor Steven Johnson.
O livro abaixo é ótimo. Apesar de antigo, muitos dos conceitos apresentados por ele valem até hoje.
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cultura
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Uma interface famosa é a dos computadores, os desktops.
Repare que a “cara” do espaço virtual, dos sistemas operacionais, foi totalmente baseada no ambiente físico: gavetas, pastas, documentos, lixeira…
A ideia era virtualizar um ambiente em que já estávamos acostumados.
Só que essa interface foi projetada numa época em que as pessoas trabalhavam em escritórios.
Hoje o mundo caminha em direção à mobilidade.
Para quem trabalha na rua, com um smartphone, uma interface baseada numa sala estática não faz muito sentido.

windows

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Mais recentemente os aplicativos romperam a lógica do “ambiente windows” e dos browsers.
Em vez de cliques com mouse, toques na tela.
E ninguém mais precisa digitar www.
Com a chegada dos computadores vestíveis, é importante pensar em novas interfaces.
Não apenas na estética, no design, mas na funcionalidade.
Num relógio, por exemplo, será que a melhor forma de comunicação é a visual?
Ou o tato poderia ser melhor explorado, com mensagens que vibram no pulso?
E os óculos de realidade virtual? Como vamos comandá-los?
Há uma infinidade de modelos de interfaces que ainda podem ser inventadas.
É a partir de delas que vamos nos informar e, principalmente, nos relacionar.
Até que novas formas surjam, agradeça ao Netscape por estar lendo este texto.

(Rafael Coimbra)

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