CIDADÃO DIGITAL

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O ano novo começou com uma batalha do passado.
O Netflix decidiu bloquear os clientes que tentam acessar o acervo de filmes em outros países.
Explico: quem tem conta no Brasil, por exemplo, só pode ver o conteúdo disponível aqui.
Quando o cliente faz o acesso, os servidores do Netflix reconhecem a localização e o direcionam o para o acervo específico.
Cada país tem o seu “quadrado”.
O problema é que, nos Estados Unidos, a oferta de filmes novos é muito maior.
E aí muita gente tenta burlar o sistema usando programas que simulam a localização do computador.
Existem vários, baseados em VPN (virtual private network).
Essa briga de fronteiras digitais é velha.
Houve um tempo em que os DVDs de outros países não rodavam em aparelhos daqui, e vice-versa.
A pessoa viajava para os EUA, comprava um lá e, quando chegava aqui, tinha que desbloquear.
Agora a história é parecida.
É claro que é preciso respeitar os direitos autorais.
Quem assina um serviço como o Netflix quer, justamente, pagar pelo serviço, e não recorrer à pirataria.
Mas as produtoras de conteúdo precisam entender de uma vez por todas: o consumidor digital é cidadão do mundo.
As fronteiras geográficas do mundo físico não fazem sentido no universo virtual da internet.
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Nos últimos anos, vimos o movimento importante da indústria do entretenimento aumentando a oferta da programação sob demanda e fazendo estreias de séries simultaneamente em vários países.
Antes, era preciso esperar meses para ver o que o mundo inteiro estava discutindo, em tempo real, nas redes sociais.
Com isso, muita gente acabava baixando os vídeos de forma ilegal.
Se a barreira do tempo começou a ser dissipada, o mesmo ainda não vale para as fronteiras geográficas.
Não é só o Netflix que enfrenta a tormenta.
Vários serviços de vídeo e música por streaming vivem a mesma situação.
Os produtores e distribuidores de conteúdo precisam encontrar uma fórmula justa de cobrança e remuneração.
Seja qual for, é preciso lembrar que, na outra ponta, está um cidadão do mundo.
Ele mora em todos os lugares ao mesmo tempo, fala todas as línguas, usa qualquer equipamento e assiste ao que quer, na hora em que bem entende.

(Rafael Coimbra)

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