A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

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Eles voltaram com tudo.
Nos últimos dias, dois grandes aplicativos de transmissão de vídeo viraram o centro das atenções: o Meerkat e o Periscope. São rivais à altura.
O primeiro recebeu um aporte milionário de investimento. O segundo é filhote do Twitter.
Vários especialistas descreveram os aplicativos como “revolucionários”, capazes de mudar para sempre o mundo da comunicação.
Ok. Respeito o ponto de vista. Mas discordo radicalmente (em parte). Explico.
Programas de transmissão de vídeo existem há anos. Tanto os de comunicação direta quanto os atrelados a redes sociais. Pra ficar apenas entre os mais famosos é só lembrar do Skype, Facetime, Qik, Livestream e Twitcam.
A verdade, por mais decepcionante que seja, é que nada disso pegou pra valer no dia a dia das pessoas comuns.
Entre os programas de comunicação direta (tipo Skype e Facetime), o uso é restrito a trabalhos de grupo (vídeo conferência) e pra matar saudades dos amigos e parentes que moram longe.
É raro encontrar alguém na rua falando com outra pessoa em vídeo.
Pra ser bem honesto, é cada vez mais difícil encontrar pessoas usando até mesmo o áudio.
Hoje, smartphones são usados, sobretudo, com aplicativos de escrita, quando se trata de uma conversa.
Isso parece um retrocesso, mas é um fato. Já abordamos o assunto aqui no Labmídia.
Se olharmos o uso da transmissão em vídeo, nas redes sociais, a coisa também não emplacou como muitos imaginavam.
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Vou continuar a reflexão no campo social, foco dos novos aplicativos.
Os esperançosos citam dois argumentos para afirmar que agora tudo vai ser diferente. O primeiro é que as interfaces estão mais amigáveis. O segundo é que os smartphones e a internet melhoraram muito. Pra mim, nada disso vai ser capaz de mudar o jogo, pelo menos a curto prazo. Pode até gerar uma corrida momentânea, em busca do novo. Ainda mais num momento “selfie-narcisístico”. Mas a curiosidade, alguma hora, acaba.
Ninguém tem paciência para ficar o dia inteiro transmitindo a própria vida ao vivo.
Nos testes que fiz com o Periscope, vi uma pessoa mostrando um pôr do sol em Mônaco, outra registrando as peripécias de um gato (sempre eles) e por aí vai. A maior audiência que vi foi a de uma aula: 47 pessoas.
Falando em audiência, quando pensamos no uso dessas ferramentas aplicadas ao jornalismo, aí sim o potencial é enorme.
Quem trabalha com notícias usa cada vez mais conteúdo colaborativo. Fotos, vídeos (gravados), tuitadas, comentários.
O WhatsApp hoje é quase obrigatório nas redações.
A tecnologia criou milhões de repórteres eventuais, que sacam seus smartphones pra registrar um fato relevante. Muitas vezes, chegam antes das equipes tradicionais de jornalismo.
Ou seja, se houver incentivo e curadoria, por parte das empresas de comunicação, os novos aplicativos de transmissão de vídeo tem tudo para fazer diferença.
Num grande evento, será possível acompanhar, ao vivo, a notícia por vários ângulos. Isso já existia, ainda que as condições técnicas não fossem das melhores e a cultura da colaboração também não fosse tão forte.
Agora, com smartphones cada vez mais potentes, e a internet móvel mais rápida, a qualidade das transmissões só tende a melhorar.
As empresas de jornalismo que coordenarem essa participação cidadã vão sair na frente. É claro que iniciativas independentes também podem se firmar. Hoje, qualquer pessoa pode criar um telejornal e ficar no ar 24h por dia. Mas o processo é bem mais complicado. É preciso se destacar no meio da avalanche de informações.
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Já para os grandes grupos de comunicação a tarefa é mais simples, pois dominam o processo jornalístico. Isso tudo vale também para a publicidade. Imagine o potencial, para marcas, de um show sendo transmitido, ao vivo, a partir de vários smartphones.
Enfim, a faca e o queijo estão nas mãos dos profissionais de comunicação. É só querer e saber usar os novos recursos.
Caso contrário, daqui a algum tempo, teremos uma nova onda de transmissão de vídeo.
E um naufrágio de aplicativos, vendo o sucesso passar, através do periscópio.

(Rafael Coimbra)

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