APLICATIVO, NÃO: MEU NOME É UBER

A briga é boa.
De um lado soluções inovadoras conhecidas como “aplicativos”.
Do outro, classes tradicionais tentando manter vivos seus negócios.
No meio o consumidor, sedento por serviços melhores e mais baratos.

De uns tempos pra cá essa arena vem se formando em vários setores: WhatsApp x Telefônicas, Uber x Taxistas, Airbnb x Hotéis…

NewEconomy

Por parte dos consumidores os argumentos são quase sempre os mesmos.
Por que proibir algo eficiente e de graça?
Que mal faz um “aplicativo”?
Por que pagar impostos se não prejudica ninguém?
Vamos com calma.
É preciso colocar cada coisa no seu devido lugar.
Aplicativo é uma interface presente em smartphones. Ponto.
Eu posso criar um. Você também.
A verdade, nesses casos polêmicos, é que por trás de cada aplicativo existe uma empresa.
E elas estão entre as maiores do mundo.
O Uber já passou dos US$ 50 bilhões. Pra efeito de comparação é quase o dobro da Petrobras.
O WhatsApp foi comprado pelo Facebook por US$22 bilhões. Facebook que vale hoje US$ 250 bilhões!
O Airbnb também fica na casa dos US$25 bilhões.
Então vamos ser claros e dar nome aos bois.
Não se trata de uma briga entre taxistas e um “aplicativo” e sim entre taxistas e uma multinacional bilionária.
Os próprios veículos de comunicação usam o termo “aplicativo” como se fosse um simples botão virtual.

Não, não é.

elo

Vamos mudar a lógica do início do texto.
De um lado temos os consumidores, do outro, prestadores de serviços e, no meio, empresas que ligam as duas pontas.
Ou seja, apesar de parecer, o passageiro não liga diretamente para o motorista: eles se encontram por meio do Uber.
O hóspede se conecta a um morador através do Airbnb.
Essa dinâmica existe faz tempo.
Só que as novas tecnologias fazem o intermediário parecer invisível.
O discurso é que a comunicação é ponta a ponta, direta. Não é.
Sempre existem intermediários.
Eles bem são reais, gigantes da nova economia, e faturam alto com os serviços que prestam.
Faço essa reflexão porque o debate tende a esquentar.
Novos negócios vão surgir nesse modelo e os intermediários precisam ser tratados com tais, não como brinquedos.

Outro sentimento comum é que a nova economia tende a trazer exclusivamente benefícios generalizados. Uma espécie de comunismo digital. Também não é por aí. A “internet” não tem só coisas boas. Quem quiser um bom contraponto leia o livro “Para salvar tudo, clique aqui: a loucura do Solucionismo Tecnológico” – Evgeny Morozov.

morozov
Aí você pode estar pensando que sou contra os “aplicativos”, ou melhor, os intermediários.
Negativo.
Antes de qualquer coisa sou a favor do consumidor, sempre.
Quero poder usar Uber, WhatsApp e Airbnb.
E acho que os taxistas e as telefônicas devem ter o seu espaço, apesar de terem muito a melhorar.

disruption-ahead

O fato é que a nova economia veio para ficar.
Precisamos entender como essas empresas funcionam e aprender a lidar com elas.
Os governantes, principalmente, devem pensar em novas formas de regulação, não de proibição.
Enquanto isso os prestadores de serviços tradicionais tem que aprimorar seus negócios. Ou então criar soluções inovadoras para enfrentar a concorrência.
Em breve o Uber vai ter que se mexer pra não ser varrido do mapa pelo carro sem motorista do Google.
Essa onda de neoludismo de uma lado, e salvacionismo digital do outro, não contribui em nada, pra ninguém.
No fundo vivemos o velho capitalismo selvagem, só que com uma roupagem nova, uma dinâmica diferente.
A concorrência clara é sempre o melhor caminho (ou menos ruim).
Da próxima vez que você cliclar em um “aplicativo” certamente vai estar economizando.

Mas também aumentando o lucro de uma das maiores empresas do mundo

(Rafael Coimbra)

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