TELEJORNALISMO SEM TELA

Na semana passada o Labmidia esteve no EmTech, o maior evento do mundo de tecnologias emergentes, promovido pelo MIT.
Lá tive a oportunidade de apresentar uma visão para os próximos 10 anos do Telejornalismo.
É um desafio enorme fazer previsões no campo da comunicação digital. Basta voltar no tempo pra perceber isso: 10 anos atrás o Facebook estava nascendo. Não existia Twitter. A internet móvel era sofrível (principalmente no Brasil). O primeiro iPhone só apareceu em 2007.
Então, tente imaginar o que vem por aí…
_
12243004_10204967121251521_4191573506100204870_n
_

Pra não ficar no campo da especulação fiz uma aposta em cima de tecnologias reais, que já estão sendo usadas ou produzidas hoje.
A principal delas é a Realidade Virtual (VR). Já falamos dela aqui, no ano passado.
De lá pra cá a VR evoluiu muito. Além disso, grandes empresas decidiram investir pesado na tecnologia. Google e Facebook entraram no jogo. Por trás desse movimento está a convicção de que o conteúdo em vídeo é a nova mina de ouro na conquista do público. E, se for um vídeo imersivo, melhor ainda.
_
The-Oculus-Rift-headset-i-012.jpg
_
Mas o que vem chamando atenção nos últimos meses é o aparecimento de empresas jornalísticas nesse universo.
A CNN fez experimentos com VR. O canal já tinha usado holografia em 2008. A tecnologia não vingou. Até porque foi uma tentativa solitária. Agora, insisto, grandes empresas de tecnologia e comunicação estão de mãos dadas pra desenvolver a VR.
Outra iniciativa interessante veio do New York Times. O jornal (é jornal ainda?) distribuiu mais de um milhão de Google Cardboards para os assinantes. Com o aparelho eles puderam ver um vídeo criado em VR.
Por enquanto é tudo bem simples (o que, pra quem já experimentou a tecnologia, é impressionante).
Mas a tendência é que ela se desenvolva de maneira exponencial.
E aí, do ponto de vista jornalístico, vamos ter oportunidades e desafios.
Seguem algumas reflexões:
_

oculus-rift-inside.jpg

_

O fim das telas

A Realidade Virtual só funciona hoje se houver uma tela. Ela é pequena e fica bem próxima dos olhos. Mas o importante é que a sensação pra quem usa é de que a tela não existe. É um novo conceito de ver o mundo, de imersão, de realmente parecer estar no local em que as imagens são feitas.
Se a VR passar a ser padrão as fabricantes de TV vão sofrer um baque. E a forma como enxergaremos o mundo mudará completamente.

Pra onde eu olho?

Numa reportagem de TV tradicional o que chega pra gente é uma imagem 2D “presa” exclusivamente no enquadramento escolhido pelo cinegrafista.
Na VR é diferente. Cada um vai poder olhar pra onde quiser.
Essa liberdade de escolha é inédita e muito instigante. Ela pode tanto despertar uma curiosidade maior por parte de quem vê ou, ao contrário, deixar a pessoa perdida, sem saber qual o foco da notícia (exercício feito hoje pelo cinegrafista, profissional treinado pra capturar o que ele julga ser o mais importante).

Ao vivo

Por enquanto a maior parte do conteúdo produzido para VR é gravado. Mas existem esforços pra que a transmissão seja feita ao vivo. A Lytro, famosa pela câmera fotográfica que permite fazer o foco depois que a imagem foi capturada, trabalha numa câmera de vídeo VR que pode ser usada em tempo real. Ainda não vi nenhum drone combinando VR + jornalismo ao vivo. Mas imagino que em breve vá surgir algo parecido como a Lily. Em vez de GPS, talvez a câmera VR possa ser guiada por reconhecimento facial.

São tantas emoções

A Realidade Virtual é um grande passo na expansão dos nossos sentidos. O aúdio e o vídeo nos transportam para o local dos fatos. Esse é só o começo. E por que não incluirmos mais coisa aí? Por exemplo, o tato. Já existem projetos de tecnologia háptica sendo desenvolvidos. É bem mais complicado que a visão ou a audição. Mas vamos chegar lá. E aí teremos uma super VR. Vamos ver, ouvir e sentir na pele o que acontece em outro lugar. Imagino que seja o mais próximo que vamos chegar de uma sensação de teletransporte, no médio prazo.
Parece fascinante e é. Mas, de novo, isso cria um desafio para os jornalistas. Dependendo da carga de emoção que levarmos a quem assiste a VR ela pode ser um perigo.
Imagine uma pessoa acompanhando um salto de paraquedas em tempo real ou a cobertura dos atentados terroristas em Paris. Se tiver algum problema cardíaco pode ser que infarte. Como vamos lidar com isso?
_
tactile_feedback.jpg

_

No EmTech também explorei o uso da inteligência artificial e do ambiente colaborativo no telejornalismo.
Mas isso fica para outro texto. Ou quem, sabe, um vídeo VR.

(Rafael Coimbra)

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s