O DESIGNER DE REALIDADES

Quem trabalha com design materializa formas, funções e caminhos imaginários.
Outro dia isso era feito com lápis e papel. Aí chegaram os computadores facilitando o 2D e abrindo um novo mundo em 3D.
Agora a onda das “realidades” e dos “chatbots” promete sacudir o mercado outra vez.
As tecnologias de realidades artificiais são consideradas pelas grandes empresas do setor a maior promessa no curto prazo. A princípio elas parecem todas iguais, mas é importante diferenciá-las para entender melhor as aplicações do design em cada uma delas.

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Realidade Aumentada

É aquela realidade que  mistura real + virtual. Cria uma camada digital em cima do que vemos naturalmente. Um exemplo dessa tecnologia é o Google Glass. Nesse tipo de realidade o designer deve pensar em formas gráficas que agreguem dados sem atrapalhar o campo de visão. Se eu quiser saber informações sobre uma pessoa que surge na minha frente, onde e de que forma ela deve aparecer? E se for preciso acionar um menu de funcionalidades? Em que posição ele vai ficar?  As informações vão surgir de forma automática, tipo “pop up”? Ou a pessoa precisa ativar a camada digital? Nesse caso, como isso será feito? Pelo comando dos olhos? Voz?

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Realidade Virtual

É aquela 100% digital. Todo o ambiente gráfico foi filmado ou criado em computador. Ao por os óculos a pessoa não tem mais contato com a realidade externa e vive uma imersão simulada. Exemplo: Google Cardboard e Oculus Rift. Nesse tipo de tecnologia o designer deve construir o ambiente de forma tridimensional e em 360 graus em todos os eixos de rotação. Além disso precisa definir o progresso da ação já que o ambiente é criado ou recriado a cada movimento feito com o dispositivo.

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Realidade mista

É parecida com a realidade aumentada. Também mistura real + virtual. A diferença está no objetivo. Enquanto na realidade aumentada a ideia é agregar informação, criar camadas sobrepostas, na realidade mista o objetivo é inserir elementos virtuais tão bem feitos que a gente não consiga identificar que são irreais. Ou, mesmo sabendo que não são verdadeiros, podemos interagir com cenários, objetos e pessoas tendo a sensação de que são reais. Exemplo: Hololens e Magic Leap. Os designers de realidade mista vão criar a chamada “realidade sintética”. Ou seja, o nível de detalhes, tanto no desenho quanto na progressão do movimento e na interação, devem ser extremamente perfeitos.

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Em termos de imagens acho que esse já é um bom começo pra pensar.
Agora podemos avançar um pouco mais no campo do “design cognitivo” e do “design de linguagem”.
Aqui tomo a liberdade de ampliar o conceito de designer para estruturas virtuais.
Pra quem trabalha com experiência do usuário é algo parecido com a chamada arquitetura de informação dos sites. Ou seja, o caminho que a pessoa pode percorrer por meio dos hiperlinks.
Até hoje isso era feito por meio de interfaces tradicionais: computadores, tablets e smartphones – abastecidos por textos e imagens, via mouse e touch screen. Agora imagine abandonar tudo isso. Sem sites, sem aplicativos. Imagine aparelhos em que a interface vai ser apenas comandada por voz. Onde ficaria o design tradicional? É sério: sites e aplicativos correm o risco de morrerem algum dia.
Nesse cenário é preciso pensar numa arquitetura neural, a exemplo do que começa a ser feita com a ajuda da inteligência artificial. Os chatbots (robôs de chats) são um aperitivo do que vem por aí. Você já deve ter passado por essa experiência ao ligar para uma central de atendimento por telefone ou via chat. Primeiro quem te atende é uma máquina. Só em caso de necessidade uma pessoa entra no circuito. Geralmente funciona já que muitas respostas aos pedidos dos consumidores são previsíveis. Mas isso é uma comunicação básica. Daqui pra frente as coisas vão ficar mais sofisticadas. A ideia é manter um diálogo tão real ou até mais eficiente do que acontece com uma pessoa de verdade.

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Exemplo: se você quiser comprar uma mesa numa loja de móveis. Hoje basta entrar no site ou aplicativo, encontrar o menu ou barra de buscas e ir clicando até encontrar a mesa ideal. Masse você quiser fazer essa compra apenas conversando com a máquina ela precisaria entender perfeitamente o que você quer e, se possível, conhecer o seu perfil para te ajudar a escolher a melhor mesa. Isso tudo exige um “design cognitivo”, um novo tipo de arquitetura de informação baseado na linguagem. E abastecido por algorítimos e um banco de dados que tornem a experiência eficaz.
Ou seja, designers cognitivos vão trabalhar cada vez mais com inteligência artificial. Novos assistentes virtuais chegam ao mercado a cada dia, como Viv, dos criadores da Siri.
O desafio dos designers do futuro será transformar em realidade (ainda que aumentada/virtual/artificial) um novo mundo de sonhos e desejos.

(Rafael Coimbra)

 

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