A ENERGIA DE UM CLICK

Você está fazendo aquela viagem dos sonhos e se depara com uma praia paradisíaca. Saca a câmera (ou smartphone) e… click, click, click. Seu filho esboça dar os primeiros passos. Você aperta “rec” e sai gravando até ele andar.
Antigamente registrar imagens em foto e vídeo era custoso: fisicamente e financeiramente. Dava trabalho comprar um filme ou fita, revelar, ampliar, comprar um álbum, um vídeo cassete. Fora encontrar espaço em casa pra guardar a montanha analógica de memórias.

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Hoje é tudo simples, imediato, praticamente a custo zero, com espaço infinito graças aos serviços de armazenamento em nuvem.
Saca só: em apenas 1 ano de funcionamento o Google Photos armazenou quase 14 Petabytes de imagens. Se você não tem ideia de quanto isso representa imagine uma TV exibindo imagens em HD durante 182 anos seguidos…
E olha que só estou falando do armazenamento pessoal. Imagine somar o acervo de livros, vídeos e música da Amazon, Netflix, Spotify… Se quiser ampliar o cenário, pense no volume de dados que vão entrar no circuito com o crescimento da “internet das coisas”. Esse estudo estudo aqui mostra a tendência explosiva na quantidade de dados gerados por nós (e as máquinas).
Tudo muito bonito e impressionante. Mas tem uma questão importante por trás desse universo mágico. Vamos voltar para o plano doméstico.
Como eu disse, gerar e guardar imagens é quase de graça. Isso do ponto de vista do consumidor. Ok. E onde isso tudo fica armazenado? Em smartphones, laptops e, cada vez mais, nos servidores remotos como o Google Photos, iCloud (da Apple) e Facebook. Ora, isso tem um custo para as empresas. Elas investem em equipamentos e gastam muito com  energia. As empresas se esforçam para garantir que suas imagens estejam 24h a nossa disposição. Entrou no Facebook, quer dar uma conferida nas fotos de aniversário do ano passado, o álbum tem que estar lá. Este é o ponto mais importante pra mim: energia.

Estamos transformando memória em eletricidade

A cada dia a resolução das fotos e vídeo aumenta. E quantidade de registros que fazemos também. Ao lado de momentos importantes estamos gerando uma espécie de lixo virtual. Tiramos umas 100 fotos pra escolher uma ou duas que realmente achamos que ficaram legais. O resto vai sendo empurrado pra debaixo do tapete, digo do HD. Afinal de contas, “não custa nada”.
Se continuarmos nesse ritmo vamos precisar tornar o processo de armazenamento mais eficiente energeticamente. Uma alternativa interessante é o uso de nanotecnologia para gravar informações. Outra, bem diferente, invertendo a lógica do digital para o analógico, é guardar informações em formato de DNA. A ideia é criar um DNA sintético, extremamente durável e com uma capacidade absurda de guardar informações. O mais complicado para os cientistas é o custo. Mas, como quase tudo em tecnologia, a tendência é baixar nos próximos anos.

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Uma consequência indireta desse lixo virtual é a dificuldade de encontrar o que queremos. Quem hoje organiza fotos e vídeos em pastas? Ou por ordem de importância? Geralmente fica tudo bagunçado, né? Por isso muitas empresas investem em inteligência artificial, pra categorizar tudo automaticamente, entendo o que é selfie, viagem, aniversário, pessoas e, até mesmo, decidindo quais são suas “melhores” fotos (tem gente que vai dizer que saiu mal mesmo tirando 1.000 fotos…).

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Da próxima vez que você sacar o telefone pra tirar aquela selfie pense na economia de energia: a elétrica e a mental.

(Rafael Coimbra)

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