DINHEIRO (AO) VIVO

Agora sim a brincadeira começou a ficar séria. Quem me acompanha sabe que há muito tempo critico o lançamento de novas plataformas de vídeo ao vivo (lembra da Twitcam?). Não porque elas são ruins (ao contrário, são ótimas tecnicamente falando) mas porque não tem força pra caminhar sem estímulos. Já escrevi sobre isso aqui no Labmídia. Existe uma grande distância entre alguém poder fazer uma transmissão ao vivo e realmente ter vontade de fazê-la. E mais: fazer com qualidade a ponto de capturar a audiência no meio do turbilhão da oferta de imagens. Eis que agora o Facebook surge pra dar esse empurrãozinho.

livehub
A empresa começou a pagar grandes veículos de comunicação para usar o Live, ferramenta de vivo deles. Entre outros, estão no jogo “New York Times” e “BuzzFeed”. O valor é considerável: US$250.000 por 20 vídeos mensais. É a primeira vez que o Facebook paga pelo serviço. Outra frente do FB é contratar celebridades para fazerem transmissões ao vivo no Live.
A aposta do dono do Facebook, Mark Zuckerberg, está nos dispositivos móveis. Ele diz que é cada mais fácil carregar – e ver um vídeo – que digitar ou ler um texto. Zuck está de olho no faturamento mobile. A maior fatia do bolo publicitário, diaparada, ainda é do Google. Mas a taxa de crescimento do FB é maior. Zuck parece obcecado por vídeos, inclusive investindo alto em Realidade Virtual (a nova fronteira do vídeo).
Outras empresas também estão entrando na onda do vídeo ao vivo com recursos próprios. É o caso da Tastemade, que anunciou 100 entradas ao vivo por mês no Facebook.
A profissionalização do mercado de vídeos online não é nova. Isso no que diz respeito ao conteúdo gravado. O Youtube está aí pra provar que é possível produzir e distribuir material de qualidade e ganhar dinheiro com isso (seja diretamente, pelo pagamento em cima de visualizações, seja indiretamente, por eventos obtidos em função da exposição).

O novo agora é o início da profissionalização do vivo.

A condição básica pra esse novo cenário é a ampliação da base móvel, tanto por meio de smartphones mais potentes e baratos quanto pela rede de telefonia. À medida que esses dois pilares se desenvolvem fica fácil produzir e consumir programação ao vivo por streaming.
Que as pessoas adoram vídeo, e que o mercado online tende a crescer, poucos duvidam. A questão, de novo, é se destacar e ganhar dinheiro. Um relatório que acaba de ser divulgado pela KPBC traz dados interessantes sobre o mercado.

2016-internet-trends-report-46-638

No slide acima dá pra percebe que, apesar do consumo de vídeo – e publicidade – serem um sucesso, existe uma grande resistência aos anúncios. Os dados se referem ao conteúdo gravado, assistido sob demanda.
No caso de transmissões ao vivo ainda não existem muitas pesquisas consistentes. Mas é possível imaginar que a reação do espectador deve ser parecida.
Ou seja, o conteúdo deve ser algo que relevante e com o mínimo de interferência possível das marcas. Aqui está um grande desafio: como fazer publicidade usando entrada ao vivo? O anúncio vai rodar antes? No meio da transmissão? Ou o Facebook  vai ganhar/pagar indiretamente a partir da propaganda no feed das pessoas? Essa é uma nova era no mundo do vídeo. Cheia de dúvidas e oportunidades. Mas, convenhamos, o Facebook leva uma grande vantagem já que a base espectadores segue rumo a casa dos 2 bilhões. Outro diferencial é que a plataforma de interação está agregada ao vivo. Há muito tempo o termo “segunda tela” é usado pra marcar a participação simultânea em dois lugares. Enquanto assistimos TV, comentamos nas Redes Sociais. O Facebook agora tem as duas coisas no mesmo lugar. Você está vendo o que os amigos postaram e… de repente surge uma transmissão ao vivo do seu interesse. Aí é só seguir acompanhando a transmissão e comentando no próprio Facebook. Isso tende a ser uma mudança importantíssima sobre a forma como vamos consumir vivo. Você pode até questionar e dizer que o Youtube e outros canais independentes já fazem isso. Mas acho diferente. Uma coisa é procurar um canal específico. Exige um esforço. É diferente de “pular” uma tela na sua frente sem que você abandone o conforto do ecossistema Facebook.

sincronismo
Sou um grande fã do conteúdo ao vivo como elemento de sincronismo midiático. Explico. Com as transformações tecnológicas dos últimos anos o eixo espaço-tempo da programação foi quebrado. Antes precisávamos ver o vídeo ao vivo, numa hora determinada pelos canais, e num lugar fixo (em frente à tv). Com o conteúdo sob demanda isso tudo acabou. Podemos ver quando e onde queremos. Se por um lado isso dá uma grande liberdade para todos, a captura da atenção coletiva simultânea ficou bem complicada.

O vivo tem poder de unir as pessoas em torno de um determinado assunto no mesmo instante.

A força de sincronizar interesses e emoções em tempo real é enorme. As TVs tradicioanis sabem bem disso. A diferença é que agora isso acontece em escala mundial. Grandes veículos de comunicação e Redes Sociais podem ganhar muito com isso. Os consumidores também. É bem possível que produtores de vídeo menores cresçam junto com esse mercado.
De novo: em muitos aspectos entrar ao vivo se torna cada vez mais fácil (em breve vou publicar um texto com a análise do que mudou em 20 anos de telejornalismo em tempo real no Brasil). Mas conquistar atenção ao vivo não é fácil. Principalmente pela grande oferta de informação. É preciso ser profissional. Entender o público alvo. Apresentar qualidade na forma e conteúdo. Só que custa caro. O barato é que agora grandes empresas como Facebook estão dispostas a pagar por isso.

(Rafael Coimbra)

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