IDENTIDADE DIGITAL

Durante muitos anos a fotografia significou a prova que uma pessoa existia.
E, quando ela morria, ficava eternizada por meio da imagem.
Quem fez essa reflexão foi o José Inacio Parente, fotógrafo e psicanalista, com quem conversei na semana passada. Ele é o curador da exposição “Retratos da família brasileira” (ótimo programa, fica a dica…).
Parente me contou que, quando a fotografia surgiu, em meados do século 19, só os que tinham grana podiam contratar um profissional e criar uma identidade virtual. Quem era pobre ficou sem registro. Em vida e em morte.
Aos poucos a tecnologia evoluiu e a fotografia se popularizou.

                       “Hoje é o compartilhamento digital que no faz existir”

Quem vai a um evento e não publica fotos ou vídeos nas redes sociais é a mesma coisa que não ter ido.

Mobile-ID.jpg

Ao lado do compartilhamento surge um outro tipo de identidade digital. Ela é representada pelo rastro que deixamos na rede. Pode ser um link em que somos citados. Mas, principalmente, nossa personificação nas redes sociais. Quando queremos saber se alguém existe mesmo, damos uma “goolgada”, ou procuramos no Facebook, Twitter, Instagram, Linkedin…
Se uma pessoa não tem registro digital em nenhum lugar, a impressão que temos é que ela simplesmente não é real. Nome verdadeiro e foto são essenciais. Quanto mais informações, mais provável a existência.
No passado, a criação de um avatar era opcional. No Second Life escolhíamos quem gostaríamos de ser. Nossa identidade digital era separada e bem diferente da vida real. Hoje em dia essas duas representações são praticamente a mesma coisa. Ainda que nas redes sociais nós damos uma “photoshopada” na realidade, o que postamos é algo muito próximo ao que somos.
É cada vez mais comum sites e aplicativos que aceitam nosso cadastro a partir de um login feito por meio de uma rede social.

             “A conta no Facebook se transformou na nova carteira de identidade”

Conheço pessoas que ainda tentam fugir das redes sociais. Elas ganham sossego por um lado mas, em muitos momentos, viram párias digitais. Já vi gente que deixou de ir à festa porque não ficou sabendo do evento programado virtualmente. Conheço gente que perdeu trabalho porque não tinha conta no Linkedin.

                            “Não ter identidade digital é uma opção mas tem um preço”

Indian-monks
Quando os telefones celulares surgiram aconteceu algo parecido. Muita gente relutou em ter um. Hoje em dia encontrar alguém sem celular é raríssimo. O mesmo movimento acontece na passagem do celular simples para o smartphone. Aparelho que só liga já não serve mais. É preciso ter WhatsApp. Caso contrário você não existe.
A tendência é que esse movimento de digitalização de quem somos se acentue.
Em breve vamos ser monitorados por sensores espalhados pelo corpo (fora e dentro dele). Nossas emoções vão entrar em jogo. E as máquinas vão passar a se relacionar conosco na chamada Internet das Coisas. Pode ser que, no futuro, nossa identidade digital seja definida por nossos hábitos e chancelado por algorítimos. Isso tudo envolve um grande debate sobre coleta de dados e privacidade.
O problema é que não somos consultados sobre a melhor forma dessa migração. Vamos a reboque do que as grandes empresas de tecnologia definem como padrão. E tudo muda cada vez mais rápido.
Em algum momento, lá na frente, vamos ter que perguntar ao assistente pessoal: “quem sou eu ?”. Se não houver resposta, cuidado. Pode ser que você não exista…

Rafael Coimbra

 

 

 

Anúncios

Um comentário sobre “IDENTIDADE DIGITAL

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s