COMUNICAÇÃO OLÍMPICA

A Olimpíada do Rio foi o maior evento de comunicação digital da história. Bateu todos os recordes: produção de conteúdo, distribuição em múltiplos canais, compartilhamentos etc.
Uma onda gigante que envolveu 25 mil jornalistas (só no Rio) e uma audiência de 5 bilhões de espectadores.
Mais do que inovações, os jogos do Rio consolidaram tendências que vinham se desenhando nos últimos anos. Analiso algumas delas.

Simbiose Midiática

Quando usei esse termo pela primeira vez, em 2010, muita gente ainda torcia o nariz para a ideia de que as “novas mídias” poderiam conviver pacificamente com as “mídias tradicionais”. Eu não só acreditava nisso como também defendia que elas deveriam alimentar e se nutrir umas das outras, como acontece no processo de simbiose da natureza.
Agora isso está mais claro do que nunca. As redes sociais são movidas por fatos divulgados pela imprensa e, a imprensa, se pauta muitas vezes pelo que bomba na internet. O público tem cada vez mais participação. Seja na divulgação de notícias, análises, reações etc.
Na maioria das vezes é um jogo de ganha-ganha. É preciso estar atento para aproveitar as oportunidades.
Segundo o Ibope, 98,3% das residências acompanharam pelo menos um minuto dos jogos pela TV. Os dados também comprovam que 0 Twitter funciona como uma segunda tela, já que o maior número de menções na plataforma acompanhou as maiores audiências da TV (cerimônia de abertura foi campeã na TV e nas redes sociais).

 

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Papo Reto

Outra coisa interessante foi notar como os atletas usaram as redes sociais para se posicionar oficialmente. Antes, precisavam dar uma entrevista a um grande veículo de comunicação. Hoje, publicam declarações diretamente no Twitter, Facebook, Instagram ou Youtube, em suas páginas oficiais. Vejam o vídeo abaixo, feito ao vivo pelo Michel Phelps. Tem quase 4 milhões de visualizações! Esse tipo de conteúdo é cada vez mais reproduzido pelo mundo inteiro. Já comentei, aqui no Labmidia, sobre o processo de identidade digital. Claro que uma entrevista ao vivo, numa grande rede de tv, tem seu valor. É mais espontânea, transmite emoção e audiência está sincronizada. O post, por sua vez, é mais controlado e tem sido usado como forma de posicionamento. Em vez de uma velha “nota oficial” o post humaniza a opinião de atletas, marcas e instituições.

Mídias Invisíveis

Deu pra notar também que hoje todo mundo usa as redes sociais com uma naturalidade absurda. Jornalistas, atletas, instituições, público… Parece uma constatação boba, mas não é. Chegamos a um ponto onde postar um comentário, vídeo ou foto se tornou tão banal a ponto de não darmos quase importância ao canal de comunicação e sim ao conteúdo.

AS REDES SOCIAIS ESTÃO SE TORNANDO INVISÍVEIS

Essa é uma mudança de paradigma importante. É um processo parecido com o que aconteceu com a eletricidade. Ninguém pensa mais “Uau, apertei um botão e a luz apareceu”. Mais recentemente a internet passou por isso. Está em todos os lugares nas grandes cidades. Agora é a vez das redes sociais. Postamos e pronto. Já faz parte do DNA.

Mobilidade

Eu queimei minha língua. Jurava que a rede de dados móveis 3G/4G não suportaria tanta gente conectada. Mas os testes que fiz, principalmente no Parque Olímpico, mostraram que as operadoras fizeram o deve de casa. Isso permitiu uma mobilidade fundamental para o público e para os jornalistas. Equipes do mundo inteiro usaram equipamentos que transmitem vídeo pela internet, via chips de celular. Eles somam as velocidades de vários modems e criam uma super banda larga. A qualidade é perfeita, em alta definição. Vi muita gente usando smartphone também para gravar entrevistas e entrar ao vivo. Aqueles velhos caminhões com antenas de satélite tendem a desaparecer. Essa mesma cobertura de internet móvel também facilitou a vida do público. Tinha muita gente fazendo transmissões ao vivo pelo Periscope e, principalmente, pelo Live do Facebook. Já notou que agora aparece um botão pra entrar ao vivo no lado esquerdo, no alto, na versão mobile do FB?  Segundo a Anatel, o volume de dados trafegado na Olimpíada do Rio foi 10 vezes maior que na Copa do Mundo. É como se cada pessoa tivesse enviado 80 fotos por dia durante a competição!
Outro efeito foi o aumento de visualizações de conteúdo gravado via streaming. Quem não pode acompanhar ao vivo, ou queria rever algum lance espetacular, tinha ao alcance um acervo inesgotável de vídeos. O Globo Play deu um show nesse quesito.

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4k, 8k, 360

A tecnologia de Ultra definição (4K) vai se consolidar até a Olimpíada de Tóquio, em 2020. Para um evento marcado por belas imagens isso é muito importante. Ao mesmo tempo as pessoas estão migrando das telas fixas (TVs) para as telas móveis (smartphones). Isso significa que vamos precisar de ainda mais banda de dados para suportar transmissões em 4K via streaming. Apesar dos esforços de algumas grandes empresas, tecnologias mais imersivas como 360 graus, Realidades aumentada, virtual e mista, não emplacaram nessa Olimpíada. Como 4 anos são uma eternidade em termos digitais é bem possível que tenhamos uma evolução nessa área a ponto de acompanharmos os próximos jogos de uma forma ainda mais interessante. A julgar pela entrada triunfal do primeiro ministro japonês (ou melhor, do Super Mario) na cerimônia de encerramento, criatividade é o que não vai faltar…

 

Rafael Coimbra

*P.S. Depois que esse texto foi publicado surgiram novos números que reforçam as teses acima. Veja aqui.

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