A HORA DA VIRADA

Qual é a melhor forma de fazer um vídeo ou uma foto com smartphone? Deitado ou em pé?
Até bem pouco tempo eu responderia na lata: “deitado, claro!”.
Mas, sabe como é… nesse mundo tecnológico as coisas mudam de uma hora pra outra…
Os vídeos verticais estão em alta e a tendência é que ocupem cada vez mais espaço.
A explicação principal é simples: estamos migrando do mundo fixo para o móvel.
Muitos dos vídeos, que antes assistíamos no computador ou na TV, agora vemos no smartphone. E o smartphone é usado, preferencialmente, em pé.
Por conta disso, hoje em dia, na prática, quase sempre temos uma experiência ruim. Queremos ver os vídeos com o celular em pé. Mas eles estão gravados na horizontal. Então perdemos espaço visual na tela. Repare só. É exatamente o inverso do que acontece quando os vídeos gravados na vertical são exibidos na TV.


Outra plataforma que está forçando essa mudança de eixo é o Snapchat. Quem usa a rede social que mais cresce no mundo não tem paciência pra ficar virando câmera. Grava e faz vídeo na vertical. Vê o conteúdo da mesma forma.
Fora a popularização dos vídeos ao vivo como Periscope e Live do FB.
As grandes plataformas já se tocaram e decidiram facilitar a vida do consumidor (e não perder audiência para o Snapchat). O Facebook acaba de anunciar que vai investir em vídeos gravados na vertical. Inclusive para transmissões ao vivo. Até então o FB trabalhava apenas com vídeo “quadrado”.
Em 2014 o Youtube tinha declarado guerra aos vídeos verticais. Mas depois voltou atrás.
Gravar num formato e exibir no outro parece simples de ser adaptado, mas não é.
Primeiro é preciso investir em tecnologia. O ideal seria que as câmeras passassem a gravar em modo duplo (vertical e horizontal). E as plataformas dessem a opção para o consumidor decidir como quer ver. Ou usar a alta resolução para recortar e adaptar o formato. Por exemplo, um vídeo 4k ser recortado para fazer um Full HD horizontal e outro vertical. Ainda assim seria preciso uma tecnologia “responsiva”, parecida com a usada em sites que se adaptam ao tamanho da tela. Nada impossível. Mas trabalhoso.

Não bastasse a parte técnica tem ainda um grande desafio, o subjetivo. Quando alguém for filmar ou fotografar, onde fica o objeto central? O que é mais importante na cena? Pensar editorialmente na horizontal ou na vertical faz toda a diferença.

VerticalVideo.png
Isso vale pra quem vai gravar um material pessoal e, mais ainda, pra que trabalha com publicidade. Cada plataforma vai exigir uma vídeo em formato próprio. Algumas empresas especializadas já estão trabalhando com essa pegada. Mas ainda tem muita coisa pela frente.
Em casa, na tela grande da TV, o vídeo na horizontal ainda é imbatível. No resto é preciso se reinventar.
Isso, claro, até as Realidades Digitais caírem no gosto do público. A partir daí “horizontal” e “vertical” vão deixar de fazer sentido. O mundo vai girar em todas as direções.

Rafael Coimbra

 

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