ETERNOS CONTADORES DE HISTÓRIAS

No mundo da comunicação digital pouco se cria, muito se copia e tudo se transforma.
Repare bem e veja como de uns tempos pra cá as Redes Sociais incorporaram recursos umas das outras.

Hoje é possível escrever, postar fotos e vídeos, e até entrar ao vivo em todas elas.
Ainda assim é possível distinguir Twitter, Facebook, Instagram, Snap e WhatsApp.

Juntas, as Redes Sociais competem por nossa atenção. E algumas vão se destacando mais que outras.

Uma coisa que tenho notado recentemente é que…

O Instagram virou o Facebook

Explico.
Ao longo do tempo o Facebook perdeu uma característica original importante, e o Instagram se apropriou dela: o compartilhamento de histórias pessoais, de forma simples.

selfie_storie

Quando o Facebook surgiu ele não tinha o famoso feed de notícias (característica apropriada do Twitter). Era bem estático, parecido como o Orkut.

Só que, naquele momento inicial, o conteúdo publicado era feito apenas das histórias dos amigos. Praticamente não havia espaço para o compartilhamento de qualquer outro tipo de assunto. Nem mesmo publicidade.

Aos poucos, no entanto, as pessoas passaram a poder compartilhar tudo: de vídeos de gatinhos à notícias do outro lado do mundo, de opiniões a boatos.
Resultado:

A facilidade de postar qualquer coisa e a necessidade de falar sobre qualquer assunto tornaram o Facebook um ambiente poluído.

Não me refiro apenas ao conteúdo de baixa qualidade mas também ao excesso de informação.

Aquela característica original do Facebook, de compartilhar histórias pessoais, ficou perdida na avalanche de posts. Quando você quer saber sobre alguém tem que garimpar. O próprio FB percebeu isso e, recentemente, mudou os algoritmos da rede, valorizando mais postagens pessoais. Sinceramente, não percebi muita diferença.

instagram-stories-steal-snapchat

Ao mesmo tempo aconteceu um movimento interessante. O Instagram (comprado pelo Facebook) copiou descaradamente alguns recursos do Snap (que o Facebook tentou comprar). Surgiu então o Stories. A partir de então foi possível contar histórias em vídeos curtos, além de manter as tradicionais fotos em ordem cronológica.

Reparem que, ao fazer isso, o Instagram virou o Facebook. Aquele original, em que acompanhávamos as histórias dos amigos, por meio de texto, foto (e depois vídeo) sem poluição visual.

No Instagram não é possível compartilhar links. Mesmo fotos de outras pessoas dá trabalho, é preciso usar recursos como o Repost.

Se você quiser acompanhar a vida de alguém o lugar certo é o Instagram.

Ok. O Snap vai na mesma linha. Mas penso que, no médio prazo o Insta leva vantagem pela base de pessoas. É potencialmente a mesma do Facebook, a maior do mundo.

A grande sacada do Snap foi criar uma linguagem inovadora que, na verdade, resgatou o princípio básico das Redes Sociais.

Minha tese é que…

O grande sucesso do Snap foi perceber, conscientemente ou não, que os adolescentes querem compartilhar experiências, não informações.

Até porque, quanto somos mais novos, não temos tanta obrigação de estarmos informados sobre tudo o que acontece no mundo, e também de ter opiniões formadas sobre qualquer assunto.

Crianças e adolescentes querem compartilhar experiências de vida, não notícias. Querem se posicionar por atitudes, não por opiniões.

No fundo nós adultos também temos um pouco essa necessidade. Queremos saber como são os outros “de verdade”, sem passar por filtros de opiniões alheias.

Ou seja…

Vejo o Snap como uma linguagem, não como uma plataforma.

E ela vai ser apropriada por todos. O FB já a incorporou no messenger. Em breve vem aí um novo recurso que vai impulsionar esse tipo de linguagem Snap/Stories: o Clips, da Apple.

apple-clips

Vídeos curtos, com legendas e emojis. Essa é uma grande tendência no curto prazo.

Como sempre digo, nenhuma Rede Social vai necessariamente matar a outra. Há espaço para várias. O importante é perceber como as pessoas querem se comunicar. E ficar atento porque esse é um processo vivo.

No meio de tantas transformações uma coisa permaneceu intacta ao longo de todos esses anos e provavelmente vai sobreviver pra sempre: gostamos de contar nossas histórias e saber as histórias dos amigos. De forma simples, direta, sem um mar de informações no meio do caminho.

Rafael Coimbra

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