SEU DESEJO É UMA ORDEM

Nós vamos conversar com as máquinas.
É inevitável. Só uma questão de tempo.
Talvez você, assim como eu, já faça isso.
Tenho em casa os 3 assistentes pessoais mais famosos do mercado: Siri, Alexa e Google Home.
E posso afirmar: depois que você começa a falar com um sistema inteligente é difícil querer voltar a escrever ou apertar botões de um controle remoto.
Digo: “Play Billions” e o Google Home liga minha TV, abre o Netflix e põe o capítulo da série que curto exatamente no ponto em que parei.
O processo é bem mais simples e eficiente que o manual.
Mas existem alguns pontos que precisam avançar.
Vou explorar alguns, baseado na minha experiência pessoal…

EvolutionUI

Ordem

Conversa mesmo ainda não rola.
O que acontece é que damos ordens para os assistentes.
Falamos e eles obedecem sem questionar.
E são passivos, nunca pró-ativos.
O Google acaba de anunciar que vai ser possível habilitar a função “por favor”.
Assim, antes de ordenar uma tarefa, será preciso dizer as palavras mágicas da boa educação.
Ótima iniciativa, principalmente para crianças que já nasceram conectadas e vem se relacionando cada vez mais com esses assistentes (maior parte nos EUA).
De qualquer forma ainda assim não existe o modo “jogar conversa fora”.
É tudo muito reativo, não fluido.
As máquinas precisam evoluir para sustentar o papo e, de vez em quando, por que não, puxar a conversa sem que a gente peça…

alexa_kid

Habilidades

Dentro do contexto das ordens a Alexa é a mais avançada.
Tanto nas tarefas pré-programadas quanto na opção de criá-las.
Com o sistema recente “Blue Print” dá pra qualquer um ensinar o assistente a executar comandos.
Mas ainda gosto mais do Google Home por que está integrado a outros aplicativos da empresa.
Por exemplo, se recebo uma confirmação de viagem pelo Gmail, o Google Trips lê essas informações. Então, quando pergunto: “Como vai ser o meu dia?” o assistente é capaz de dizer destino, hora e local da minha viagem. E ainda calcular quanto tempo levo até o aeroporto baseado na distância da minha casa.

Reconhecimemento

O nível de reconhecimento de voz é altíssimo.
Pena que alguns (Google Home e Alexa) ainda não tenham versão em português.
Outra dificuldade é o assistente ouvir nossa voz quando, por exemplo, está tocando música.
Às vezes é preciso gritar para ele ouvir.
Esse ponto fica ainda mais crítico para os idosos.
Muitos tem dificuldade de audição, falam baixo e já não enxergam tão bem.
E são justamente eles que se beneficiariam mais de bons assistentes pessoais.
Em vez de procurar aplicativos numa tela pequena do telefone bastaria conversar com o assistente.
Então ouvir bem é fundamental.

AmazonHears

Contexto

É outra característica que evoluiu muito.
Ainda assim, frequentemente, o assistente não encadeia a conversa.
Exemplo:
P – “Em que país vai ser a Copa do Mundo?”.
R – “Na Rússia”.
P – “Qual a temperatura lá?”
R – “Desculpe. Preciso que você diga o lugar de onde quer saber a temperatura”.

Veja que o diálogo é simples. Se estamos falando de Rússia a máquina deveria entender que perguntei sobre a temperatura lá. Mas isso nem sempre acontece.
No Google Home é possível “sustentar” a conversa com o microfone ligado por alguns segundos, o que amplia a chance de entendimento.

Voz natural

Aquela voz robótica, sem entonação, tem ficado para trás.
Já se aproxima muito do nosso jeito de falar.
A ponto de passarem no Teste de Turing.
Em breve será praticamente impossível distinguir uma voz artificial de uma verdadeira.
Duvida? Veja esse exemplo.

Emoção

Esse vai ser o salto principal na minha opinião.
Quando conversamos com uma pessoa de verdade percebemos se ela está triste, ansiosa ou feliz. Tanto no tom da voz quanto nos gestos e na expressão facial.
Máquinas ainda não fazem isso facilmente.
Mas já existe tecnologia pra isso.
Quando estive agora no SXSW 2018  testei a Saya.
É uma assistente pessoal criada por computação gráfica.
Ela usa uma câmera para capturar nossa expressão facial.
Com a ajuda de inteligência artificial a Saya “leu” as minhas emoções.
Isso mesmo. Em tempo real. Um gráfico ao lado do monitor mostrava o meu estado emocional.
Quando esse tipo de tecnologia estiver embarcado nos assistentes será possível adaptar o tipo de conversa ao nosso estado emocional, como acontece entre duas pessoas de verdade.

 

Privacidade

Sim. É uma invasão de privacidade absurda.
Meus assistentes ficam me ouvindo o tempo inteiro a espera de comandos.
Quando a conversa passar a ser feita com a ajuda de câmeras imagine o grau de exposição.
É uma opção que cada um vai ter que fazer.
Até porque todas essas informações obviamente vão ser usadas em forma de propaganda.
As máquinas vão saber exatamente como nos comportamos, o que fazemos, o que desejamos. E os anúncios vão se tornar cada vez mais personalizados e atraentes.

machine_friend

Ao mesmo tempo essa intimidade toda pode nos levar a uma relação passional. Algo parecido com o filme “Her”.
Ter uma companhia disponível o tempo inteiro, que nos ouça, obedeça nossas ordens, fale coisas interessantes, entenda nossos sentimentos… é ao mesmo tempo fascinante e assustador…

Rafael Coimbra

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