UM CAMINHÃO DE EMOÇÕES

Fomos atropelados.
Essa é a sensação que ficou depois da paralisação dos caminhoneiros.
Ela entrou para história do Brasil não apenas pelos efeitos econômicos mas também pelas novidades no campo da comunicação.
Uma característica marcante foi o uso do WhatsApp.
Então vamos a alguns Zaps…

Rede Social

O WhatsApp se consolidou como uma rede social.
Quando ele ainda estava em fase de crescimento, escrevi aqui no Labmídia sobre isso.
Mas é uma rede diferente do Facebook e do Twitter.
Primeiro porque é formada por grupos, ou seja, micro redes, que se juntam e formam algo maior.
Depois porque são invisíveis aos olhos de quem não pertence aos grupos.
As mensagens circulam submersas e fragmentadas.
Isso ajuda a explicar em grande parte a surpresa causada no Governo ao não identificar a força do movimento e as lideranças.

Agência de Notícias

O WhatsApp passou a ser fonte de informação primária para muitos grupos.
Alguns, inclusive, fizeram campanha para que as pessoas não acreditassem nos veículos de imprensa.
Resultado: uma grande circulação de boatos e notícias falsas.
Por mais que as informações oficiais estivessem disponíveis muita gente as ignorou.
Minha tese é que a emoção, e não a razão, dominou do debate.
Então aí vão mais alguns zaps…

zap2

Contra tudo isso aí

A FGV mediu o efeito pelo Twitter.
Mas dá pra imaginar que o mesmo tenha acontecido no WhatsApp.
Primeiro vieram os protestos dos caminhoneiros, numa pauta única (diesel).
Depois a paralisação foi a apropriada por outras pessoas e outros discursos.
A população passou a apoiar o movimento com um sentimento de revolta e indignação.
Era um desabafo sem pauta definida, “contra tudo isso o que está aí”.
Os posts no Facebook e os tuítes foram substituídos por vídeos e áudios dos caminhoneiros.
E, o ato de repassar um zap, passou a equivaler a uma curtida.
Cada um que encaminhou um conteúdo expressou a sua opinião ou, muitas vezes, apenas a indignação.
Em momentos de insegurança a emoção geralmente se sobrepõe à razão.
À medida em que o país foi parando os discursos violentos e alarmistas ganharam espaço.

zap3

 

Círculo de confiança

Uma outra pesquisa recente, feita pela USP, mostrou que as notícias falsas se propagam principalmente por grupos próximos a nós: família, amigos e trabalho.
Falso ou verdadeiro o “efeito whatsapp” parece ser o mesmo.
Ou seja, pertencer a um determinado grupo digital, exclusivo, nos causa uma sensação de proximidade.
E proximidade gera confiança.
O lado racional fica de lado e muitas vezes acreditamos cegamente em quem nos compartilha algo.

Fica agora a expectativa para o uso do WhatsApp nas eleições.
Enquanto isso, como diriam os trabalhadores da estrada…

parto

Rafael Coimbra

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